1 Coríntios 10:1-13   

A GRANDE E VELHA MENTIRA
1 Porque não quero, irmãos, que voc ês ignorem o fato de que todos os nossos antepassados estiveram sob a nuvem e todos passaram pelo mar.
2 Em Moisés, todos eles foram batizados na nuvem e no mar.
3 Todos comeram do mesmo alimento espiritual
4 e beberam da mesma bebida espiritual; pois bebiam da rocha espiritual que os acompanhava, e essa rocha era Cristo.
5 Contudo, Deus não se agradou da maioria deles; por este motivo os seus corpos ficaram espalhados no deserto.
6 Estas coisas ocorreram como exemplos* para nós, para que não cobicemos coisas más, como eles.
7 Não sejam idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: "O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar às farras".*
8 Não pratiquemos imoralidade, como alguns deles -- e num só dia morreram vinte e tr ês mil.
9 Não devemos p ôr o Senhor à prova, como alguns deles -- e foram mortos por serpentes.
10 E não murmurem, como alguns deles -- e foram mortos pelo anjo destruidor.
11 Estas coisas aconteceram a eles como exemplos e foram escritas como advert ência para nós, sobre quem tem chegado o fim dos tempos.
12 Assim, aquele que julga estar firme, cuide-se para que não caia!
13 Não sobreveio tentação a voc ês que não fosse comum aos homens. E Deus é fiel; ele não permitirá que voc ês sejam tentados além do que podem suportar. Mas, quando forem tentados, ele lhes providenciará um escape, para que o possam suportar.

Cada ato de pecado, por menor que seja, é uma semente na nossa alma. No começo é tão pequenininho, mas depois perdemos o controle.
João e Antônio são amigos e durante as férias gostam de caçar. No ano passado eles contrataram os serviços de um piloto que os levou ao acampamento onde efetuam a caçada. Quando o piloto voltou depois de duas semanas, descobriu que havia um problema. Os dois caçadores haviam caçado muito e o avião não estava equipado para carregar tanto peso assim. Com toda educação e diplomacia, o piloto explicou a situação: O avião não pode carregar todo este peso e se tentarmos levantar vôo, nós não ultrapassaremos aquela montanha lá no final do lago.
– Se você pensa que vamos voltar para casa, sem a nossa caça está muito enganado – disse o João. Não viemos aqui e ao voltar para casa, contar histórias de pescador, sem nada em mãos para provar que verdadeiramente somos bons caçadores!
– Eu acho que poderia fazer duas viagens, mas é claro que isso vai lhes custar mais caro, disse o piloto.
Ah! Disse assustado o Antônio. Não podemos de maneira nenhuma pagar uma viagem extra. Você vai colocar toda esta caça no avião! “Se vira meu chapa”.
– Não posso fazer isso – o piloto respondeu.
Bom, depois de muita discussão, o piloto, mesmo contrariado, concordou em levar os dois caçadores e a sua caça em uma única viagem. Depois que levantou vôo, desesperado, o piloto lutava para alcançar a altitude necessária para seguirem vôo, mas não conseguiu. Conforme havia previsto, não ultrapassaram a montanha.
Rastejando para fora dos destroços, Antônio enxugou o sangue do rosto, olhou à volta meio tonto, e perguntou: Você tem idéias de onde estamos?
– Acho que estamos a cerca de 200 metros do lugar onde batemos o ano passado, respondeu o João.
A moral desta história está no fato de que todos nós nos identificamos com ela. Assim como João e Antônio, tomamos as mesmas decisões malucas repetidas vezes, apenas para experimentar o mesmo resultado frustrante.
Meus irmãos, se não aprendermos com o passado, estaremos destinados a repetir os mesmos erros de sempre, novamente. Para tanto, leiamos I Coríntios 10:1-13.
O texto que lemos fala da peregrinação da nação de Israel. Paulo está nos ensinando que devemos aprender com os erros do passado. Embora os israelitas tivessem experimentado a manifestação da presença de Deus em seu meio, mesmo assim eles caíram na tentação. Eles adoraram os falsos deuses. Eles participaram de imoralidade sexual e tentaram a Deus (v.11). Esta é grande e velha mentira do tentador. Ele tem usado esta mesma mentira por séculos e séculos, e tem obtido muitas vitórias. Ele se aproxima a você e de mim com o seguinte discurso:
Você não é uma pessoa ruim. Na verdade, quando comparado com a maioria das pessoas, você é excepcionalmente bom. Em circunstâncias normais você nunca pensaria numa coisa dessas, mas esta é uma situação incomum. Além disso, na bíblia você encontra muitos homens e mulheres piedosos que fizeram coisas que normalmente nunca fariam.
Por exemplo, Abraão, mentiu à Faraó, rei do Egito, que Sara, sua esposa, era sua irmã. Outro exemplo é o de Raabe, a prostituta. Embora a bíblia proíba a mentira, ela mentiu ao rei de Jericó em relação aos espias que entraram na cidade. Tudo isso prova que circunstâncias excepcionais exigem reações fora do comum.
Com freqüência o enganador cochicha aos nossos ouvidos por meio da música que ouvimos, dos livros que lemos, dos filmes que assistimos, ou dos sites que navegamos. Quando pensamos que estamos apenas nos divertindo, seu poder persuasivo ataca o nosso pensamento e apetite.
Irmãos, quando Satanás nos tenta, não vem em forma de uma serpente enrolada. Ele não vem abanando uma bandeira vermelha. Simplesmente quando ele surge, ele vem sorrateiramente.
O Pastor Edward Luz nos relatou a triste história de um tesoureiro de uma Junta Missionária em Belo Horizonte que desviou o dinheiro dos missionários. Quando fiquei sabendo desta história, fiquei chocado no primeiro momento. Mas depois de ter pensado, imaginei que provavelmente este tesoureiro fosse um homem sincero. Nem melhor e nem pior do que eu e você. Em algum momento do caminho entrou por um desvio errado. É possível que no começo lhe parecesse insignificante. Talvez tivesse aumentado o seu relatório de despesas ou omitido a entrada. Ou talvez ainda tivesse precisado de dinheiro e tenha “tomado emprestado” dos fundos da missão até o dia do pagamento. Pretendia devolver, mas, não se sabe por que, nunca o fez. Depois de algum tempo tornou-se mais fácil apenas fazer de conta que nunca havia acontecido.
Entendo eu, meus irmãos, que se Satanás o tentasse a desviar o dinheiro dos missionários na soma tão grande que desviou (e não consigo precisar quanto, mas sei que era muito dinheiro), se o tentasse a desviar de uma só vez aquele montante, não teria sucumbido. Sem dúvida ele se considerava um homem honesto, mas Satanás o tentou com pequenas quantias, com quantias “insignificantes” – vinte reais aqui, cinqüenta reais ali. E com toda probabilidade ele se convenceu de que era apenas um empréstimo; certamente devolveria.
Sem dúvida houve um momento em que ele se comprometeu com algo aparentemente insignificante. Em algum ponto do caminho ele abriu o seu coração para o inimigo e, antes de perceber, este já havia tomado conta dele. Cada ato de pecado, por menor que seja, é uma semente na nossa alma. No começo é tão pequenininho, mas depois perdemos o controle. A defesa do crente contra as velhas mentiras do enganador é a Palavra de Deus.
O que causa a queda de um crente consagrado na grande e velha mentira? Quero apontar três principais motivos:
I. O motivo primeiro, de muitos fracassos espirituais é a desobediência nas pequenas coisas (vv. 1-6).
Cada ato de desobediência, por menor que seja, é como uma fissura no muro da alma da pessoa. Através de cada pequena rachadura, o ácido do mal se infiltra e começa a corroer os fundamentos do seu caráter espiritual.
Da mesma forma, cada ato de obediência, por menor que seja, reforça os fundamentos do caráter espiritual da pessoa. Dia após dia o crente obediente, é fortalecido “com poder mediante o seu Espírito no homem interior (Efésios 3:16)”.
A pessoa que quer viver uma vida de vitória não anda relaxadamente, esperando um milagre no momento da crise. Antes, ela pratica a disciplina espiritual. A disciplina espiritual é como um caminho que leva uma pessoa à presença de Deus.
Quando uma tentação potencialmente irresistível surge, a pessoa está preparada por ter sido obediente diante de tentações aparentemente insignificantes, e agora é capaz de obedecer no momento da crise.
Que “coisinhas” você tem permitido entrar sorrateiramente em sua vida? Cada ato de pecado, por menor que seja, é uma semente na nossa alma. No começo é tão pequenininho, mas depois perdemos o controle. A única defesa do crente contra as velhas mentiras do enganador, é a Palavra de Deus.
II. O segundo motivo de muitos fracassos espirituais é a falta de uma disciplina espiritual (vv. 7-12).
Irmãos, o alvo final do tentador não é simplesmente fazer-nos desobedecer a Deus, mas fazer-nos desacreditar do caráter de Deus.
A. W. Tozer, diz com muita sabedoria e propriedade que não devemos buscar orientação a respeito do que Deus já proibiu. Nesses casos, não é de orientação que precisamos, mas de obediência.
Por que, você deve estar imaginando, algumas pessoas sempre vencem a tentação, enquanto outras sucumbem repentinamente? Sem dúvida existem vários motivos, mas no alto da lista está a disciplina espiritual. É por isso que não devemos abaixar a guarda quando o assunto é disciplina espiritual.
A disciplina espiritual a que me refiro inclui, sem limitar-se, esses itens:
1. Uma vida de oração perseverante (Romanos 12:12). Não é só orar quando a necessidade bate à porta, não.
2. Leitura diária da bíblia e memorização de versículos. Hoje de manhã o Gute perguntou sobre versículos memorizados.
3. Participação dos cultos. Joseph Hall diz que: “As três grandes forças na história do mundo são: a Igreja, a observância do dia do Senhor e o culto doméstico”. Já imaginou se Márcio e Cleonice estivessem assistindo o Faustão domingo passado?
4. Obediência em todas as coisas, grandes e pequenas. Cada ato de obediência, por menor que seja, reforça os fundamentos do caráter espiritual da pessoa.
Essa disciplina espiritual não torna a pessoa espiritualmente forte por si mesma, mas ela revela o Poder Transformador do Espírito Santo. A disciplina é como um caminho que leva a pessoa à presença de Deus. Cada ato de pecado, por menor que seja, é uma semente na nossa alma.
III. O terceiro motivo de muitos fracassos espirituais é o fato de ignorar que a porta de escape é larga e fácil nos primeiros momentos da tentação (13).
Sem dúvida ninguém é imune à tentação. Embora Deus tenha prometido uma saída para escapar de todas as vezes que somos tentados, é responsabilidade minha e sua procurar esta saída tão logo o tentador sussurre as suas sugestões enganadoras.
Através da história, homens e mulheres de Deus tornaram-se presas do inimigo. Infelizmente, o que foi feito está feito. Não importa o quanto gostaríamos, não podemos desfazer o passado. Contudo, podemos aprender com ele. Podemos determinar que pela graça de Deus, não vamos pensar de nós mesmos mais do que deveríamos. Em lugar disso, crer que Deus é fiel, e que não nos deixará sermos tentados acima do que podemos resistir (v. 13).
A experiência tem me ensinado que a porta de escape é larga e fácil de encontrar nos primeiros momentos da tentação. A única hora de impedir a tentação é no momento exato do reconhecimento. Se alguém começa a argumentar, a tentação quase sempre ganha a parada.
A história de dois homens, amigos desde infância, que foram chamados para o exército americano para servir na Guerra de Vietnã. Passaram por muitas experiências horríveis, combates infernais, até que um dia, depois de uma dura batalha, um deles chegou na base sozinho. Perguntou para todos se alguém havia visto seu amigo. Finalmente um soldado informou-lhe de que a última vez que o vira foi no meio da batalha, quase morto por uma bala fatal. Na hora, o amigo resolveu voltar e tentar salvá-lo. Todos procuraram impedi-lo, porque não havia chance dele sobreviver. Mas ele foi. Com bombas explodindo por todos os lados e balas cantando pelo ar, finalmente encontrou seu companheiro.
Horas depois, totalmente exausto, o soldado chegou na base carregando seu companheiro nos braços, morto. Alguém com ironia disse: “Não falamos que não adiantava nada? Já está morto, e você arriscou sua vida por nada”. Você está enganado – respondeu o amigo. As últimas palavras que ele falou antes de morrer foram: Eu sabia que você viria.
Infelizmente, fidelidade não está mais na moda, nem na família, nem na igreja. Crentes que não são diferentes dos não crentes: Negócios, murmurações, namoro...
Creio que se Deus colocasse um anúncio no boletim da igreja, seria muito simples: “Procura-se Crentes”. Crentes dispostos a fugir da velha mentira e com os quais ainda hoje Deus pode contar. "Eu sabia que você resistiria. Eu sabia que você viria".
Obedeça nas pequenas coisas, cultive uma disciplina espiritual da qual não abaixe a guarda, e fuja no primeiro momento que tome consciência de que está sendo tentado.

Pr.Cacuto

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