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A FARDA DO SOLDADO CRISTÃO (Efésios 6:10-20) - Parte 1
10Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.
11Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes permanecer firmes contra as ciladas do Diabo;
12pois não é contra carne e sangue que temos que lutar, mas sim contra os principados, contra as potestades, conta os príncipes do mundo destas trevas, contra as hostes espirituais da iniqüidade nas regiões celestes.
13Portanto tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, permanecer firmes.
14Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça,
15e calçando os pés com a preparação do evangelho da paz,
16tomando, sobretudo, o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do Maligno.
17Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;
18com toda a oração e súplica orando em todo tempo no Espírito e, para o mesmo fim, vigiando com toda a perseverança e súplica, por todos os santos,
19e por mim, para que me seja dada a palavra, no abrir da minha boca, para, com intrepidez, fazer conhecido o mistério do evangelho,
20pelo qual sou embaixador em cadeias, para que nele eu tenha coragem para falar como devo falar.

Eu não sei se é crime ou não um soldado, seja da PM ou do Exército brasileiro entrar em um templo religioso uniformizado. Por esta razão não vim uniformizado, além de não saber se escandalizaria alguém ou não.
Quando se trava uma guerra e se vence, os primeiros dias depois da batalha são tão perigosos quanto os dias do combate. A tendência é abaixarmos a guarda. O exemplo nos vem da guerra no Iraque. O princípio que esse incidente ilustra, a Bíblia o ensina em toda parte. Quando você se julga forte, e provavelmente invencível, quando você acaba de ter uma grande vitória, você corre o perigo de achar que é um super cristão, que nada é necessário, que você se tornou um cristão de tal maneira forte que imagina que pode resistir facilmente. Você se esquece da exortação que diz: “Aquele que cuida estar de pé, olhe, não caia”.
No céu compareceremos não com armadura, mas vestindo roupas de glória. Mas aqui, porém, as peças da armadura do soldado devem ser usadas noite e dia. Com esta armadura devemos ficar em pé e vigiar, nunca relaxar a nossa vigilância. Qualquer cochilo pode gerar um desastre.
A queda de Sansão, e a de alguns dos maiores santos que figuram nas Escrituras, ocorreu dessa maneira. O Senhor Jesus disse certa vez a Seus discípulos: “vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41).
1. A grande realidade é: Estamos em plena guerra. O nosso inimigo não somente é poderoso, mas também é astuto. A variedade dos seus métodos e de suas armas são tais que não podemos permitir-nos relaxar. Esta guerra não é segundo a carne, mas espiritual.
2. Quando se trava uma guerra é necessário ter algumas táticas de guerra. O inimigo com o qual combatemos possui algumas táticas de guerra – a bíblia diz que ele se disfarça em: anjo de luz (2 Coríntios 11:14); leão que ruge (1 Pedro 5: 8); mundanismo (1 João 2:16; Tito 2:12). Deus colocou a Igreja no mundo e satanás quer colocar o mundo na Igreja.
3. Precisamos da farda de Deus. Nada, senão “a armadura de Deus”, nos será suficiente neste conflito terrível em que estamos engajados. Não há proteção, não há nada que possamos fazer, que em última instância nos proteja contra este inimigo ardiloso, astuto e poderoso, senão a armadura de Deus. Meus irmãos, em outras palavras, Deus não deixou você por conta dos seus meios e recursos pessoais. Você não tem que pensar em algo novo; você não tem que reinventar a roda; tudo o de que você e eu necessitamos é fornecido por Deus. Esta armadura precisa ser: vestida, estar nas mãos, tomada totalmente.
Aplicação: Este é um pensamento consolador e encorajador. Seja o que for que nos confronte na vida cristã, Deus, em Sua infinita sabedoria e bondade, já providenciou algo a respeito “tudo o que diz respeito à vida e piedade” já nos foi dado (II Pedro 1:4). Às vezes somos tentados a pensar que, tendo lido as Escrituras, e tendo vivido a vida cristã durante uma certa extensão de tempo, agora nós mesmos somos capazes de lidar com o inimigo.
Ao todo são seis as peças desta armadura. Diz Paulo que temos que ter os nossos lombos: 1) “cingidos com o cinto da verdade”, 2) que temos de vestir “a couraça da justiça”, 3) ter os pés calçados com “a preparação do evangelho da paz”. 4) Depois temos que tomar “o escudo da fé”, 5) tomar “o capacete da salvação' e 6) “usar a espada do Espírito”.
Estas seis peças, podemos classificá-las em dois grupos de três. As três primeiras peças, formam o que chamaríamos de a base da vida cristã. São as peças que ficam fixas no corpo. Essas peças não ficam soltas, ou com uma ligação frouxa com o corpo; elas têm que ser amarradas, ou enlaçadas. 1) O cinto nos lombos, fica de fato em posição fixa no corpo. 2) A couraça. 3) As sandálias, igualmente, têm que ficar firmemente nos pés. Essas três peças da armadura, repito, formam a base da vida cristã. São as peças que ficam fixas no corpo. Essas peças não ficam soltas, ou com uma ligação frouxa com o corpo; elas têm que ser amarradas, ou enlaçadas.
As outras peças seguintes: 4) O escudo da fé, 5) O capacete da salvação, não ficavam presos ao corpo do soldado. Não devemos pensar no capacete em termos do que nos é mais conhecido, o tipo de capacete que se usava na Idade Média era diferente. O que era usado no tempo do apóstolo consistia de um quepe de couro com peças de metal, o qual o homem colocava na cabeça. Não era fixo; a ligação não era tão firme como no caso das três primeiras peças. E, obviamente, 6) A espada do Espírito não fica presa ao corpo. Veremos a significação dessa distinção conforme avançarmos na exposição desta série intitulada: O Soldado Cristão.
Nota importante: O único comentário a mais que faço antes de chegarmos ao estudo detalhado da primeira peça, é que a ordem em que as peças são mencionadas é de grande importância e significação. O apóstolo não mencionou estes diferentes artigos ao acaso, de maneira casual, como lhe ocorressem, ou como quando via um soldado. Ele constrói uma argumentação; e é essencial que adotemos o seu método e examinemos estas diversas peças da armadura na ordem em que ele no-las apresenta.
Vejamos a Primeira Peça da farda que o soldado cristão deve vestir:

I. O soldado cristão deve vestir-se com o cinto da verdade (v. 14).
Ninguém fará isso por você. Você tem de fazer isso. O cinto não é colocado em nós; nós temos que colocá-lo firmemente, na posição certa.
1. O cinto dava ao soldado uma sensação de segurança.
Este cinto ou cinturão era colocado naquela parte do corpo conhecida como lombos. É óbvio que o cinto não era colocado somente com fins de decoração, como nós usamos hoje. Não é um ornamento. Quase sempre hoje os cintos são usados apenas como enfeite, por questão de aparência, e não para segurar as calças. A Palavra de Deus nos garante portanto, que este cinto é uma parte absolutamente essencial do equipamento; e é, pois, a primeira peça que temos que colocar em nós.
Aqui devemos lembrar-nos de que o apóstolo nos faz lembrar que as pessoas de sua geração, os homens inclusive, costumavam usar longas vestes, algo parecido com a toga que o juiz usa, talvez até mais compridas. Pois bem, o propósito do cinto era juntar, recolher e atar essas roupas soltas. Essa era a sua função essencial. Quando um homem se assentava e se descontraía, tirava o cinto; todavia no momento em que queria pôr-se em ação, juntava as vestes e as prendia com um cinto. Fazia isso porque, de outro modo, ao mover-se, suas vestes seriam um obstáculo para ele. Estaria constantemente pisando nelas; estaria tropeçando quando tentasse manusear a espada ou o escudo. Assim, a primeira coisa que o soldado tinha de fazer quando se aprontava para enfrentar o inimigo era juntar suas vestes e fixá-las com firmeza, na posição certa, por meio desta faixa forte ou deste cinto. Dessa maneira, mantinha-se em posição para o combate.
Aplicação. O cinto dava ao soldado uma sensação de segurança. Ele estava pronto, livre, alerta, tenso e preparado para a ação, e via que tudo estava em ordem e em posição; não tinha apenas um conjunto de partes soltas militando contra o que ele se propunha a fazer.
2. O Cinto do Soldado Cristão é a verdade. Que verdade é esta?
Vejamos agora como Paulo usa o quadro do cinto de maneira espiritual. “Tendo cingido os vossos lombos”, diz ele, “com a verdade”. Qual é o sentido de verdade aqui?
a) O cinto aqui é o nosso fundamento: O Senhor Jesus Cristo (3:20, 21). A peça fundamental da minha armadura não é a minha sinceridade e veracidade. Não pode ser isso, porque o apóstolo está salientando aqui que o cinto é uma peça da armadura que Deus providenciou para nós. Portanto, o cinto não é uma parte de nós mesmos, e sim algo que foi colocado em nós, algo que nos é dado. Não é a verdade em mim mesmo.
b) O Senhor Jesus Cristo é a Pedra angular rejeitada por muitos (1 Pedro 2:4-8).
c) A verdade é Jesus Cristo e quem tem Jesus tem tudo. Quem não tem Jesus, não tem nada (João 8:30-32). Observem particularmente a ênfase. Diz Ele: “Parece que vocês creram; muito bem, se vocês permanecerem em Minha palavra, em Minha instrução concernente à verdade, então vocês serão verdadeiramente Meus discípulos, e então a verdade assim comunicada a vocês e na qual vocês permanecerão, os libertará. Para que fiquem livres do diabo e das suas astutas ciladas, vocês precisam colocar em si o cinto da verdade – A Minha palavra”. Então esta verdade é a Aplicação na palavra, ao conjunto de doutrinas que temos recebido de Cristo que é o fundamento da Igreja.
Aplicação: A verdade é a primeira coisa que devemos vestir. Sem ela estamos completamente perdidos. Uma característica das crianças é que elas são propensas a acreditar em toda e qualquer história. Sem termos conhecimento do que cremos, e dAquele em quem cremos, já estamos desarmados, já estamos derrotados. Daí então o fundamento: “Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos com a verdade”.
Conclusão: Quem sabe lá no fundo do seu coração você esteja dizendo: “Pastor, você está dizendo: ‘Estai, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade’, mas o que significa isso na prática?” Quem sabe você está dizendo: “Pastor, eu admito, confesso, que a minha vida é um fracasso; o diabo me domina constantemente, e você diz que o remédio está em “fortalecer-me no Senhor e na força do seu poder”, que devo “tomar toda a armadura de Deus” e que devo começar cingindo os meus lombos com a verdade.
1. Você deve colocar esta “verdade” em torno dos seus lombos de tal modo que ela o prenda e o enfaixe, firme você sobre os seus pés.
2. Esta verdade leva você à verdadeira liberdade (João 8:32). “Se, pois o Filho vos libertar...” Livres do pecado, da culpa, da sentença de morte.
Livres dos vícios, dos maus hábitos e costumes maus.
Livres do egoísmo, do mundanismo, da carne.
3. O Soldado cristão deve ser sincero, honesto, íntegro e verdadeiro em tudo e a todo custo. Ser enganador, cair na hipocrisia, apelar para intrigas, seria fazer o jogo do diabo, e não podemos vencê-lo seguindo as suas próprias regras. O que o diabo abomina é a verdade transparente. A luz o põe em fuga.

II. A couraça da justiça
Interpretamos a palavra “verdade” como sendo toda a verdade concernente á salvação, a grande mensagem da salvação, que, naturalmente, é a mensagem peculiar deste livro que chamamos Bíblia.
A couraça que Paulo tem em mente é aquela que nos tempos antigos era utilizada pelo soldado romano.
Tratava-se de uma figura muito conhecida no mundo romano daquele tempo. Algo parecido com o colete à prova de balas que a Polícia usa hoje. Essa “couraça” geralmente ia da base do pescoço à parte superior das coxas, cobrindo assim o que agora costumamos denominar tórax e abdome.
Primeiramente e acima de tudo, naturalmente, ali há o coração. Depois os pulmões. Tanto um como os outros são vitais para a existência, para não mencionara própria vida. Depois vêm todos os diversos órgãos da cavidade abdominal. Hoje não lhes atribuímos a mesma significação que os antigos atribuíam.
Os antigos acreditavam que estes diversos órgãos eram a sede dos “afetos”, e eles atribuíam significação praticamente a todos eles.
Portanto, o apóstolo, aqui, quando nos diz que coloquemos a couraça da justiça, está preocupado em que, neste conflito, neste combate no qual estamos engajados contra o mundo, a carne e o diabo, não deve haver parte com a qual sejamos mais cautelosos quanto à proteção do que onde os sentimentos e os afetos são comandados. E não somente os sentimentos e afetos, mas também a consciência, os desejos e a vontade.
1. O apóstolo Paulo sabia que os sentimentos e os afetos desempenham papel proeminente em nossa vida. O diabo também sabe disso, e está pronto a manipulá-los, a usá-los para atender aos seus perniciosos fins e propósitos. Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração.
2. Depois há os desejos e a vontade. Não há nada de errado com os desejos como tais. E Deus quem nos dá os nossos desejos. Os desejos, em si, são bons; são uma parte da vida, uma parte da nossa natureza e da nossa constituição. Todavia o que o diabo faz é vir criar-desejos desordenados (Filipenses 3:5); ele inflama os desejos. Por meio desses desejos a vontade é afetada.
Permitam-me colocar diante de vocês o que me parece ser a única resposta adequada. É evidente que necessitamos de uma justiça que nos seja dada por Deus. E isso que nos é descrito, por exemplo, no capítulo três da Epístola aos Filipenses.
A couraça da justiça refere-se à “justiça que vem de Deus”. É oriunda de DEUS, feita e preparada por Deus, dada a nós.
A “justiça imputada” é todo o fundamento da nossa posição como cristãos. Uma expressão alternativa é “justificação pela fé”!
Visto que nós nunca atingimos o padrão de justiça de Deus, Deus enviou Seu Filho unigênito a este mundo, para que Ele pudesse dar-nos a Sua justiça. Ele veio, o Filho de Deus, sem mácula, sem pecado, e prestou perfeita obediência à lei de Deus, obedeceu-Lhe em cada jota e til da lei.
Salvação mediante “justiça imputada” significa que a justiça perfeita de Cristo é posta em minha conta, é imputada a mim, é posta sobre mim por Deus. E, olhando para mim, vendo-me revestido da justiça de Cristo. Deus me declara homem justo, declara que sou justo; e a lei não pode tocar em mim.
Isso faz parte da justiça, mas não é toda ela. Há também o que os puritanos chamavam de justiça “infundida” e é igualmente importante que nós a compreendamos também. A diferença entre justiça “imputada” e “infundida” é que se fico só na justiça imputada, eu sou deixado onde estava antes. Não possuo em mim nenhuma justiça inerente, embora esteja vestido e coberto pela justiça do Senhor Jesus Cristo. Esse é o começo; é o que me faz cristão, é o fundamento. No entanto, Deus não pára aí, Ele começa a operar em mim a justiça de Seu Filho.
A justiça não somente é colocada sobre mim como um casaco, uma coberta. mas também é “infundida” em mim. É comparável a uma transfusão na qual o sangue de uma pessoa é posto em circulação no sangue de outra. Os verbos podem ser “transfundir” ou “infundir “injetar”, “transferir - todos eles representam a mesma operação.
Devemos “crescer na graça” e no conhecimento do Senhor. Estas são diferentes maneiras de expressar “justiça infundida”.
Aplicação. A couraça da justiça ajuda-nos em primeiro lugar, dando-nos um sentimento geral de confiança, e isso é sempre essencial em nossa terra. Se vocês entrarem neste combate contra o diabo inseguros e hesitantes, já estão derrotados. Precisamos ter confiança. Aqui estou eu, digamos. como soldado, e sei algo sobre o inimigo. Examinei a distribuição das posições, descobri alguma coisa sobre as forças que ele comanda, os armamentos que ele pode usar, e sei que as características dessas forças são astúcia, fortitude e poder.
Enquanto eu não tiver um sentimento de confiança em que eles estão cobertos, não terei possibilidade de resistir e de estar preparado para alguma investida que venha. Mas tão logo que tenha esta couraça, sei que tudo está bem.
3. Passemos, agora, a considerar mais algumas maneiras pelas quais esta “couraça da justiça'' nos ajuda em nosso conflito com as astutas ciladas do diabo, e em nossa luta contra os principados e potestades. Consideremos primeiro o modo como ela nos protege na esfera dos nossos sentimentos e sensibilidades. Há muitos cristãos que, por não terem vestido a couraça da justiça, são muito infelizes; o diabo os “pegou” e os derrotou simplesmente porque nunca souberam bem o que significa vestir a couraça.
Os temperamentos e as variações em nossos sentimentos e sensibi1idades. “Todos nós devemos ter descoberto há muito tempo que os sentimentos vêm e vão; e, naturalmente, o diabo sabe muito bem disso”. Ele persuade muitos a basearem neles toda a sua posição cristã. Tiveram alguns sentimentos maravilhosos em certa ocasião, e basearam tudo nessa experiência. Ou podem ter tido sentimentos maravilhosos na presença de Deus em oração, ou num culto, ou nalgum outro lugar; e puseram neles a sua confiança. Depois, por uma razão ou outra, os seus sentimentos parecem tê-los abandonado. Experimentam aridez e frieza; não sentem mais o que sentiram; e toda a sua posição está abalada. O diabo lhes sugere que não são cristãos, que eles nunca foram cristãos. A única coisa que lhes tinha provado que eram cristãos desapareceu, e assim eles ficam sem nada.
É justamente aqui que a couraça da justiça é da máxima importância; na verdade, neste ponto ela é a única proteção adequada.
O emocionalismo é sempre um mal, e os emocionalistas são, dentre todas as pessoas, as mais iludidas pelo diabo. Todo pastor, todo médico de almas, terá visto isso com maior freqüência, talvez, do que qualquer outra coisa. Há os que lamentam: “Não sinto mais nada; sentia, mas agora não”. Estão desanimados e abatidos, e perguntam se são cristãos afinal. Para tudo isso a resposta é: “Vistam a couraça da justiça”. É a única resposta.
4. Depois, de maneira similar e estreitamente relacionada, temos toda questão da “experiência”. Há diferença entre “sentimentos e emoções” e “experiências”. Às vezes a nós, como cristãos, são dadas experiências notáveis e incomuns. Deus, em Sua graça, no-las envia. Isso as Escrituras descrevem com freqüência. Deus, por Seus motivos inescrutáveis, concede ao Seu povo algumas manifestações de Si mesmo, algo que é completamente fora do comum, algo extraordinário e excepcional. Aqui também temos algo pelo que devemos dar graças a Deus. Mas aqui também temos que ter o cuidado de vestir a couraça da justiça, porque o diabo virá e tentará fazer-nos confiar justamente nessas experiências.
O princípio geral é que devemos ter o cuidado de não pôr a nossa confiança nessas experiências. Há pessoas que parecem entrar na vida cristã mediante alguma experiência estupenda que faz com que o restante de nós perguntemos se alguma vez fomos cristãos, afinal. Vocês verão, porém, que depois de breve espaço de tempo, muitíssimo freqüentemente elas tiveram um retrocesso; não sabem qual a sua posição; e têm que ser trazidas de novo para a vida cristã pelos meios comuns e normais. Nunca entenderam a doutrina da justificação pela fé, mas confiaram inteiramente na experiência maravilhosa que tiveram. Graças a Deus pelas experiências, todavia não ponham nelas a sua confiança. Não vistam “a couraça das experiências”, mas sim, a couraça da “justiça”. Vocês devem compreender a única base da sua permanência na presença de Deus, para que, na ausência de algo incomum, dramático e extraordinário, não obstante, possam saber onde estão, possam saber como estar firmes e como responder a tudo quanto o diabo sugira a vocês.
5. Consideremos ainda, a questão geral do desânimo. O desânimo é utilizado com muita freqüência pelo diabo. 0 diabo sabe muito bem que o problema final do homem é sempre o seu orgulho. É o orgulho que impede o homem de crer no Senhor Jesus Cristo. A maioria dos que não são cristãos, particularmente os intelectuais, é incrédula por causado seu orgulho. Os homens sempre se recusaram a dizer: “Vil, cheio de pecado eu sou”. Claro que não são! Não querem dizer que são “desvalidos” e que nada podem fazer. Estão convictos de que podem fazer muito, e estão tentando fazê-lo. Confiam em sua própria moralidade, confiam no seu próprio entendimento, em suas idéias, e em muitas outras coisas. Sua confiança nessas coisas impede-os de se tornarem cristãos.
O diabo nos conhece muito bem. Ele nos leva a esta situação, na qual pomos a nossa confiança em nossas atividades e ações. Chega então a hora em que, por uma ou outra razão, as coisas começam a correr mal, dificuldades e problemas surgem, mesmo em conexão com o nosso trabalho cristão, talvez. Ou após um período de sucesso e bênção, parece haver uma espécie de declínio, quando nada está acontecendo; e o diabo vem e procura fazer-nos cair em depressão. Ele começa a fazer-nos sentir que nunca fizemos nada, que tudo o que fizemos é apenas algo temporário e de nenhum valor real; e, assim, todas as obras nas quais estivemos confiando, de repente parece que não são nada. Esse sentimento é muito comum entre os melhores obreiros, entre as pessoas mais ativas na vida cristã. Tudo parece chegar a uma estagnação; nada vai bem; e o pobre homem que inconscientemente estivera confiando em sua atividade e em suas obras, vê-se perdido, abalado e sem saber o que está acontecendo.
Vamos, agora, examinar este assunto em termos de um tipo geral de depressão espiritual. E, naturalmente, estamos no corpo, e por vezes a causa dessa depressão pode ser puramente física. A depressão física pode levar à depressão espiritual, e isso pode confundir as pessoas.
Pr. Jorge Francisco Cacuto


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